Mulheres candidatas das eleições de 2008 e 2012 para o legislativo nos municípios que fazem parte do programa federal Territórios da Cidadania.

Pesquisador: Alides Baptista Chimin Junior

Curso / Instituíção: Doutorado em Geografia / Universidade Estadual de Ponta Grossa

Situação: Em desenvolvimento

O presente trabalho, ainda em processo de execução, persegue a resposta para a seguinte questão central: “Como as mulheres candidatas participam das eleições de 2008 e 2012 para o legislativo nos municípios que fazem parte do programa federal Territórios da Cidadania no Brasil?”.

O programa federal Territórios da Cidadania, decreto federal 11.503/2008, tem como principal meta promover o desenvolvimento econômico e universalizar programas básicos de cidadania. Um de seus mais importantes pilares para atingir esta meta é produzir ações para a superação das desigualdades de gênero. Este programa federal está organizado de forma escalar, pois tem como base de atuação um conjunto de municípios que possuem similaridades de características econômicas e ambientais, bem como traços comuns de identidade cultural e de coesão social.

O programa é composta por 120 territórios, um total de 1852 municípios que comportam, segundo o IBGE (2010), 23% da população nacional. Nesse sentido, a presente pesquisa centrará a análise nas eleições municipais, notadamente nas redes de financiamento eleitoral e a representação proporcional de gênero das câmaras de vereadores procurando comparar os pleitos eleitorais de 2008 e 2012.

A superação das desigualdades de gênero, um dos eixos norteadores do programa, depende do empoderamento feminino nas estruturas econômicas e políticas da sociedade. Dentre os maiores desafios para este fim está a representação de interesses das mulheres na esfera formal do Estado e isso se dá principalmente por meio das disputas eleitorais.

A baixa representação feminina nas esferas políticas de Estado é um aspecto que tem sido objeto de intervenção política com a implantação de políticas de cotas de mulheres, lei federal 9.504/2007, na composição da relação nominal elaborada pelos partidos políticos para as eleições legislativas desde 1998. Mesmo depois de dezessete anos de implantação desta ação afirmativa para aumentar a participação feminina na esfera política do Estado, evidenciamos que o progresso ainda é lento.

Resultados prévios evidenciam o uso de candidatas laranjas, já denunciado por Alves (2012), ao verificarmos a grande quantidade de candidatas com a ocupação de donas de casa, agricultoras, dentre outras, porém com pouca expressividade tanto nas redes de financiamento quanto no sucesso eleitoral, onde estas representam uma minoria eleita.

Ao segmentar a rede entre a densidade de conexões entre agentes e ao assimilarmos o elemento financieiro, percebe-se que o perfil das candidaturas incorpora o potencial de sucesso eleitoral, onde candidatas com ocupações que intercalam redes de sociabilidades (funcionárias públicas, professoras, etc) possuem maior sucesso de serem eleitas.

Seguindo o pensamento da geógrafa Linda Peake (2005), a política é a forma como as pessoas exercitam o poder por meio de práticas materiais e discursivas dentro de específicos lugares atravessados por várias escalas de análise e o presente trabalho procura evidenciar mulheres que conseguem, mesmo com resistências, subverter a ordem hegemônica instaurada nas instituições políticas legislativas dos municípios que compões os Territórios da Cidadania.

 

Referências:

 

ALVES, José Eustáquio Diniz; PINTO, Céli Regina Jardim; JORDÃO, Fátima. Mulheres nas eleições 2010. São Paulo: ABCP/Secretaria de Políticas para as Mulheres, 2012.

IBGE, Censo, 2010.

PEAKE Linda Mapping women, making politics: feminist perspectives on political geography New York: Taylor & Francis e-Library, 2005.

Galeria de vídeos


2017  GETEPOLITICA   globbersthemes joomla templates